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segunda-feira, 11 de março de 2013

Emília Freitas


Emília Freitas (Dª)—Filha do Tenente-coronel Antônio José de Freitas e de Dª Maria de Jesus Freitas, nasceu em Aracati a 15 de Janeiro de 1855, e em uma aula pública dessa cidade recebeu a instrução primária. Com a morte do pai em 1869 na vila, à época cidade da União, hoje Jaguaruana, retirou-se para Fortaleza entregando-se então ao estudo das línguas inglesa e francesa e da geografia. Em 1885 frequentou a Escola Normal de Fortaleza.
Desde dezembro de 1892 Emília Freitas, acompanhando um irmão, Alfredo Freitas, transferiu a residência para Manaus, capital do florescente Estado do Amazonas e aí exerceu o cargo de professora do Instituto Benjamin Constant, estabelecimento que funciona às expensas do governo estadual e que é destinado à instrução primária e secundária de meninos, até 1900, quando voltou ao Ceará acompanhando seu marido, o jornalista Arthunio Vieira, que foi redator do Jornal de Fortaleza. Voltando de novo a Manaus, aí faleceu a 18 de agosto de 1908.
Colaborou a contar de 1873 em vários jornais da antiga província, como o Libertador, Cearense, O Lyrio, A Brisa, sendo os dois últimos exclusivamente literários, e no Amazonas Commercial e Revelação, do Pará.
Muitas de suas poesias esparsas pelas colunas dos citados jornais, e outras foram por ela colecionadas num volume, a que deu o titulo Canções do lar, Fortaleza, Typ. Universal, Rua Formosa 38, Cunha, Ferro & Cª, 1891, 310 pp., com uma introdução sob o título Aos censores.
Em 1899 publicou A Rainha do Ignoto (romance psicológico), in 8º de 456 pp., saído da mesma typografia. É de sua pena também o romance O Renegado.
Dª Emilia Freitas era bisneta de Damião Pereira de Oliveira, que foi casado com Dª Maria Magdalena Ferreira de Mello, filha de Antônio Ferreira de Mello, de Goyanna, e de Dª Isabel da Rocha Maciel, e neta paterna de Raphael Ferreira de Mello e de Dª Maria Maciel e materna de Manoel Duarte da Cruz e de Dª Isabel da Rocha Maciel, portugueses.
Damião Pereira foi irmão de Cláudio Pereira de Oliveira (bisavô de Mons. Bruno de Figueredo), de Vicente Pereira de Oliveira (bisavô do Mons. Liberato Dyonisio da Costa), de Jacintho Marques de Oliveira (bisavô do negociante Joaquim Felício de Oliveira Lima), de Manoel Marques de Oliveira (bisavô do Cel. Francisco Antônio de Oliveira, de Baturité), de José Francisco de Oliveira (bisavô de Mons. Luiz Gonzaga), e de João Marques de Oliveira (tataravô de Francisco das Chagas, de Pacatuba).

Fonte: DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO CEARENSE (VOLUME PRIMEIRO) ABEL- JOÃO . Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart) p. 242-243.

Antônio de Castro Vidal Barbosa


Antônio de Castro Vidal Barbosa—Filho do Ten-Cel. Antônio de Castro Barbosa e Dª Leonísia Vidal de Castro, nasceu em Aracati a 2 de maio de 1872. É autor de dois livros de poesias, um intitulado Versos, e o outro Marinhas— 1895—1896 em 8.° pequeno, de 71 pp., dividido em Mari­nhas, Ruínas e Trovas, 1897, Tip. Universal, Fortaleza.
Como os Versos, foram as Marinhas publicadas sob os auspícios da Padaria Espiritual, associação a que pertencia o autor.

DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO CEARENSE (VOLUME PRIMEIRO) ABEL- JOÃO . Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart) p. 77-78.

Adolfo Caminha


Adolfo Ferreira Caminha nasceu em Aracati, província do Ceará, em 29 de maio de 1867. Seus pais, Raimundo Ferreira dos Santos Caminha e D. Maria Firmina Caminha, eram primos e negociantes, e Caminha foi o primogênito de uma prole de cinco irmãos. Aos dez anos, perde a mãe, vítima da grande seca de 1877.

Biografia

Nome Literário: Adolfo Caminha.
Nome Completo: Adolfo Ferreira Caminha.
Pseudônimo: Félix Guanabarino.
Nascimento: Aracati, CE, 29 de maio de 1867.
Falecimento: Rio de Janeiro, RJ, 1º de janeiro de 1897.

Romancista, contista, poeta. Após a morte da mãe, Adolfo Caminha ficou órfão com mais cinco irmãos, e foi para a casa de parentes em Fortaleza. Seis anos depois, em 1883, mudou-se para a casa de seu tio no Rio de Janeiro, que o matriculou na antiga Escola de Marinha. Em 1886, saiu a publicação em versos de Vôos incertos. No mesmo ano, fez uma viagem de instrução aos Estados Unidos.

No dia 16 de dezembro de 1887 foi promovido a segundo-tenente e publicou Judite e Lágrimas de um crente, livros de conto. Em 1888, regressou a Fortaleza e envolveu-se em um rumoroso escândalo, ao raptar a esposa de um alferes. O Ministro da Marinha interferiu, mas inutilmente, e em 1890, muito pressionado de todos os lados, Adolfo Caminha se demitiu e, com a mulher e duas filhas, seguiu para o Rio de Janeiro, onde viveu como funcionário público.

Em 1893, lançou o romance A normalista e colaborou nos jornais Gazeta de Notícias e O País. Em 1894, publicou No país dos Ianques, fruto de sua ida, oito anos antes, aos Estados Unidos. Um ano depois, o romance Bom-Crioulo e o livro de crísticas Cartas literárias. Em 1896, ano em que fundou o semanário Nova Revista, publicou o romance Tentação. Atormentado pelas dificuldades financeiras e debilitado pela tuberculose, morreu precocemente. Deixa inacabados os romances: Ângelo e O emigrado.

Principais obras:

A Normalista (1893), Bom Crioulo (1895), A Tentação (1896) - romances
Judith (1893), Lágrimas de um Crente (1893) - contos
Vôos Incertos (1886) - poesia
Cartas Literárias (1895) - crítica
No País dos Ianques (1894) - crônica

Zé Melancia


JOSÉ DA ROCHA FREIRE ( Zé Melancia ) Nasceu em 14 de agosto de 1909 , filho de pescador e parteira, construtor de jangadas, líder da colônia de pescadores por 14 anos , poeta e repentista cearense.

Foi cantador aos oito anos, como "fruta que vinga cedo". E disse também em versos que, quando morrer, e deixar a praia de Canoa Quebrada, a sua viola deverá ser depositada em seu túmulo, "onde chorará uma alma sem vida". É homem rude, cheio de melancolia:

"Já fui cantador destemido/ Cantador de alta classe.../ Já cantei face a face/ Com poeta garantido.../Com rima e verso medido,/na matéria e em repente,/ Quem fui eu antigamente,/ Quem estou sendo hoje em dia,/ Só resta da melancia/ a casca e uma semente"¹

Com enorme sacrifício, publicou diversos folhetos. Tornou-se conhecido nacionalmente desafiando cantadores da região e foi considerado o "cantador das lagostas", por haver demonstrado grande interesse pela pesca desse crustáceo e por defendê-lo em seus versos . Faleceu em 9 de março de 1977.
¹CAMPOS, Eduardo. Cantador, musa e viola. Rio de Janeiro, Editora Americana; INL, 1973
Algumas Obras:

Conselho de pai para filho (verso)
Biografia de Canoa Quebrada (verso)
Os insultos da política da lagosta em Canoa Quebrada (verso)
Segunda história da lagosta (Verso)
Exemplo aos pescadores de lagosta miúda e ovada (verso)
Exemplo para toda humanidade (Verso)

Ensaio:
Zé Melancia.Martine Kunz(Org.) Coleção Biblioteca de Cordel. Ed. Hedra. 2005.

Rosângela Ponciano


Rosângela de Souza Ponciano- (...)Nascida no Aracati, cidade onde reside e trabalha, a Professora Rosângela abraçou o magistério desde 1993, já tendo lecionado em instituições de ensino superior, como a Faculdade do Vale do Jaguaribe, e atualmente é professora do colégio Liceu do Aracati.

Psicopedagoga com título de especialização obtido pela Universidade Vale do Acaraú, defendeu a monografia “A Leitura na Transformação e Afirmação da Cidadania: Uma abordagem Psicopedagógica”.
É colaboradora ativa, há 20 anos, de jornais e cadernos de poesia, publicados pela imprensa do Aracati, notadamente do Jornal “Poetossíntese”, que possui repercussão para além deste Estado.

Não bastasse ser bisneta da polimorfa escritora Francisca Clotilde, Rosângela Ponciano é Presidente da Associação Cultural Solar das Clotildes, entidade cultural da qual é co-fundadora e que dirige com o apoio de familiares, amigos e simpatizantes da causa da educação, entidade essa que promove anualmente um dos maiores eventos culturais deste Estado, qual seja o aniversário da Revista Estrella – periódico editado por sua inesquecível ascendente – Francisca Clotilde.

Rosângela Ponciano, portanto, é a prova da influência do gênio e do talento que a bisavó plantou no solo do Aracati, podendo-se dizer, então, que é uma artista pela própria natureza.

Enquanto musicista – que fora licenciada pela Universidade Estadual do Ceará – promoveu inúmeros projetos como o “A MPB é Show!”; “Alguém Cantando”; “Abre Alas que eu Quero Passar”; “E Viva a Música!!!”, dentre outros, sem falar que, no alto Jaguaribe, é renomada intérprete de célebres canções da Música Popular Brasileira.(...)

Foi maestrina dos seguintes Corais: Coral da União Espírita Cearense (1990); Coral São José (de 1991 a 1994); Coral Antares (de 1994 a 1996); Coral Encanto Marista (de 1997 a 2000); Coral Marista Infantil (de 1997 a 2000); Coral Espírita Viva Voz (1998); Coral Infantil do Instituto São José (de 1999 a 2004).(...)¹

Em 2007, em reconhecimento ao grande projeto assinalado pela Associação Cultural Solar das Clotildes, na reconstrução da memória e do legado de Francisca Clotilde, Rosângela Ponciano recebeu o título honorífico de membro da Academia Tauaense de Letras uma iniciativa da escritora Anamélia Custódio Mota, estudiosa de Francisca Clotilde e membro daquela casa.


¹Discurso do Acadêmico Edmilson Barbosa, Saudando Rosângela Ponciano.Tauá-CE, aos 08 de dezembro de 2007.

Raimundo Leontino


Raimundo Leontino Leite Gondim Filho (R. Leontino Filho) Nasceu em Aracati/CE, no dia 09 de maio de 1961. Editou os alternativos Flerte e i-kara-kati. É poeta e professor de literatura brasileira, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Colabora com jornais e revistas. Faz parte do Conselho Editorial da Revista Literatura, editada pelo escritor Nilto Maciel. Publicou os seguintes livros de poemas: Amor – Uma Palavra de Consolo (Fortaleza: Ed. do Autor, 1982); Imagens (Mossoró: Ed. do Autor, 1984); Cidade Íntima (1ª. ed. Mossoró: Queima-Bucha, 1987 / 2ª ed. Mossoró: Queima- Bucha, 1991 e 3ª. ed. São Paulo: Editora do Escritor, 1999); Entressafras (parceria com o poeta Gustavo Luz – Mossoró: Queima-Bucha, 1988) e Sagrações ao Meio (Pau dos Ferros/RN: Edições i-kara-kati, 1993). É autor do ensaio de crítica literária – inédito em livro, intitulado: Sob o Signo de Lumiar – Uma Leitura da Trilogia de Sérgio Campos (Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, 1997). A Geometria do Fragmento (ensaios)- São Paulo: Ed. Scortecci, 2008.

Participação em Antologias Poéticas:
Poetas Contemporâneos Brasileiros, organização de Ademir Bacca (Bento Gonçalves, Coleção Prata Nova, 1990); Medida Provisória 161, organização de Ademir Bacca (Bento Gonçalves, Ed. Alcance Ltda., 1991); Poeta, Mostra a Tua Cara – Volume 4, organização Ademir Bacca (Bento Gonçalves, Ed. Alcance,1992); Grito, Logo Existo! organização de Nilto Maciel (Brasília, Revista Literatura, 1992); Saciedade dos Poetas Vivos – Volume 3, organização de Urhacy Faustino e Leila Míccolis (Rio de Janeiro, Blocos, 1992); Poesía de Brasil – Volume 2, organização de Ademir Bacca e tradução de Gabriel Solis (Bento Gonçalves, Proyecto  Cultural Sur/Brasil, 2000); Poésie du Brésil – Volume 1, organização de Aricy Curvello e tradução de Haidê Vieira Pigatto (Bento Gonçalves, Proyecto  Cultural Sur/Brasil, 2002); Geração Alternativa – antilogia poética potiguar, anos 70/80, organização de José Medeiros Pereira Guedes – J. Medeiros (Natal, Amarela Edições, 1997); A Poesia Norte-Rio-Grandense no Século XX – antologia, organização de Assis Brasil (Rio de Janeiro, Imago Ed., 1998) e Literatura do Rio Grande do Norte – antologia, organização de Constância Lima Duarte e Diva Maria Cunha Pereira de Macêdo (Natal, Governo do Estado do Rio Grande do Norte/Fundação José Augusto/Secretaria de Estado de Tributação).

Fonte: http://www.luacheia.art.br/new/index.php/component/k2/itemlist/user/87-rleontinofilho

PAULA NEI


"Ao longe, em brancas praias embalada/ Pelas ondas azuis dos verdes mares,/ A Fortaleza, a loira desposada/ Do sol, dormita à sombra dos palmares." (Soneto A FORTALEZA)



Bruno Scomparin Pereira*

O nome de Francisco de Paula Nei (Vila de Aracati, CE, 2/2/1858 – Rio de Janeiro, RJ, 13/10/1897) é mencionado nos meios literários, atualmente, máxime e somente como partícipe da vida boêmia que marcou o Rio de Janeiro da belle époque, e na qual figuraram nomes que acabaram se imortalizando, como é o caso de Aluízio Azevedo e  Olavo Bilac, e outros que a Crítica de hoje situa em posição menos elevada – são exemplos Coelho Neto, Guimarães Passos, Luís Murat, e muitos outros.

   Figura de enorme popularidade no Rio de Janeiro de sua época, Paula Nei nunca pretendeu se dedicar seriamente à literatura, e muito menos viver dela – passou sua mocidade vivendo do que lhe rendia sua atividade na imprensa diária, bem como dos freqüentes favores que lhe faziam seus colegas e conhecidos. Sua vida apenas conheceu relativa estabilidade após seu casamento, quando o status de pai de família, o emprego público e a saúde cada vez mais fragilizada impediam-lhe de viver no mesmo desregramento de antes.

   Não obstante fugir da carreira literária, que considerava avessa ao seu gênio turbulento e ansioso por movimento, Paula Nei, em sua curta existência (faleceu aos 37 anos de idade), acabou deixando à posteridade, além das linhas que anonimamente escreveu nos jornais, também algumas modestas produções poéticas, que, juntamente com alguns discursos de sua lavra (Paula Nei foi brilhante orador, ficando famosa sua capacidade de improvisação, sendo que nos  restou algumas transcrições de seus discursos nos jornais da época), compõem seu reduzido acervo literário.

   É mais pelo seu valor histórico e bibliográfico que tomamos a iniciativa de reunir, em um só corpo, o que já foi possível reunir-se das poesias escritas por Paula Nei, e que constam das duas biografias que tiveram por objeto a vida do ilustre boêmio: "A Vida Boêmia de Paula Nei", da lavra do minuncioso biógrafo Raimundo de Menezes, que também dedicou-se ao estudo da vida de outros escritores contemporâneos à Nei, como Aluízio Azevedo, Guimarães Passos e Emílio de Menezes; e "No Tempo de Paula Nei", esmerado livro de autoria de Ciro Vieira da Cunha, que com sua obra conquistou o Prêmio Carlos de Laet de 1949, promovido pela Academia Brasileira de Letras, e que também é autor de um curioso opúsculo intitulado "100 Piadas de Paula Ney", que reúne o formidável anedotário do boêmio cearense.

   As poesias de Paula Ney, desconsiderados os versos satíricos que ele arquitetava espontaneamente em meio as suas palestras, e que raramente eram registradas em papel, não passam de meia dúzia, e não primam pelo estilo. Nem dele seria razoável esperar o contrário, pois nos parece que seus versos foram esboçados, in totum, de improviso, à  mesa das confeitarias em que ele tomava assento para escrever suas reportagens e descobrir novas matérias para elas. Percebe-se a influência do parnasianismo predominante no momento: o uso do soneto como molde de manifestação poética, algumas figuras de linhagem, e elementos outros que não merecem ser mencionados nesta pequena resenha.

   Não obstante, sua linguagem destoa do formalismo e do rigor da Escola de Bilac – a singeleza das figuras que Paula Nei invoca, e a simplicidade dos termos e das construções de que se utiliza reportam uma influência maior do Romantismo – em seus versos prevalece a emotividade e os exageros românticos, em detrimento da emoção contida e contemplativa dos parnasianos.

   Quanto à qualidade dos poemas, em seu conteúdo, não se pode tirar nenhum juízo que olvide o fato de que, se Paula Nei foi poeta em algumas ocasiões, foi-o de improviso, sem maiores pretensões e veleidades. Isso talvez escuse as deficiências que hora ou outra se encontram pelos seus parcos versos, como o emprego de figuras poéticas já exaustivamente conhecidas, o uso excessivo de vocativos, etc. Não obstante, inegável que seus versos emanam certa beleza, muito dela devida à simplicidade e espontaneidade que neles transparecem. Exemplo maior disso é o soneto "A Fortaleza", que ganhou considerável notoriedade em sua época, a ponto de que a capital cearense fosse, como ainda é, batizada de "loira desposada do sol", feliz inspiração de Paula Nei em uma faceta pouco conhecida de sua vida – a de Poeta.

   Por fim, convém notar, antes que se julgue que os poemas a seguir pertencem tão-somente à poeira do Passado, que, curiosamente, até mesmo na internet é possível encontrar os versos de Paula Nei, embora algumas transcrições pequem pelo descuido, sendo que de uma pequena análise que fizemos na web, verificamos diversas imprecisões quanto à grafia das palavras, quanto à acentuação, ocorrendo até mesmo omissões e inversões de termos, desconfigurando alguns versos.

   Essas deficiências não obscurecem a importância, porém, que há no ato de se dar publicidade aos versos de uma figura que anda esquecida dos estudos literário que têm enfoque nos autores do final do século XIX. E é essa publicidade que, se os versos do boêmio cearense não possuíram no papel, possuem agora, na rede mundial de computadores, acessível para milhões de brasileiros que presentemente podem conhecer, ainda que em pequena dose, um pouco dessa figura literária tão cativante, como é a de Paula Nei.

*Poeta brasileiro, nasceu na cidade paulista de São Bernardo do Campo. Sua obra é caracterizada pelo apego às características formalistas, inspiradas principalmente pelo parnasianismo, o que não impede que em seus versos se encontre uma incrível capacidade criadora e estilística.

Obras: "Juvenílias"; "Crepusculares", "Versos de Antes".

Emília Freitas


Emília Freitas nasceu em Aracati (CE), em 11 de janeiro de 1855, filha do Tenente Coronel Antônio José de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. Com o falecimento do pai, em 1869, a família se transferiu para Fortaleza, onde a menina Emília pôde estudar francês, inglês, geografia e aritmética, numa conceituada escola particular e, mais tarde, freqüentar a Escola Normal.

Desde 1873, Emília Freitas colaborava em diversos jornais literários, como Libertador, Cearense, O Lyrio e A Brisa, de Fortaleza, e o Amazonas Commercial e Revolução, de Belém do Pará. Muitas das poesias então publicadas foram depois reunidas no volume intitulado Canções do Lar (1891) e que trazia uma curiosa introdução dirigida "Aos censores".

Em 1892, após a morte da mãe, mudou-se para Manaus em companhia de um irmão, onde exerceu o magistério no Instituto Benjamin Constant, destinado à instrução primária e secundária de meninos. Em 1900, casou-se e retornou ao Ceará com o marido, o jornalista Antônio Vieira, redator do Jornal de Fortaleza.

Antes, em Fortaleza, havia participado ativamente da "Sociedade das Cearenses Libertadoras", de caráter abolicionista. Na sessão solene de instalação dessa Sociedade, inclusive, em 1883, Emília Freitas ocupou a tribuna com um vibrante discurso que foi muito aplaudido, segundo notícias encontradas em jornais. Apesar de ser uma escritora respeitada nos meios literários da cidade, ela inicia o discurso justificando a ousadia de falar em público, que, no seu caso, (e no de outras intelectuais da época) soa como uma formalidade necessária para justificar o rompimento dos padrões sociais de comportamento, então estabelecidos para as mulheres.

Antes de manifestar as minhas idéias, peço desculpa à ilustre Sociedade Cearense Libertadora para aquela que, sem títulos ou conhecimentos que a recomendem, vem felicitá-la pela primeira vitória alcançada na ditosa vila do Acarape.

Depois imploro ainda permissão para, à sombra de sua imortal bandeira, aliar os meus esforços aos dessas distintas e humanitárias senhoras, oferecendo-lhes com sinceridade os únicos meios de que disponho: os meus serviços e minha pena que, sem ser hábil, é em compensação guiada pelo poder da vontade. [......]

As flores de nossos prados querem expulsar de seu solo esse monstro detestável [a escravidão] que em nossa pátria querida infamava e enegrecia as risonhas cenas da natureza! [......]

Seja o prêmio de nossos esforços, vermos em breve os nossos caros patrícios voltarem do campo da ação, coroados de louros, agitando triunfantes o pendão da Liberdade!

Em 1899, a escritora publicou seu principal livro, A Rainha do Ignoto, a que deu o curioso subtítulo de "romance psicológico". Tal subtítulo, com certeza se impôs pelo fato da autora ter consciência das novidades que ele continha e que o distinguia dos demais de seu tempo. Trata-se, no caso, de uma trama novelesca absolutamente inusitada, com ousados traços ficcionais, que deve ser considerada entre as pioneiras do gênero fantástico, no Brasil. A dedicatória, inclusive, pode ser lida quase como uma profissão de fé e de modernidade para a época, além de conter algumas indicações da opinião da autora acerca dos escritores contemporâneos e da consciência autoral da originalidade de seu trabalho.

[......] Meu livro não tem padrinho, assim como não teve molde. Tem a feição que lhe é própria, sem atavios emprestados do pedantismo charlatão. Não é, tampouco, o conjunto das impressões recebidas nos salões, nos jardins, nos teatros e nas ruas das grandes cidades, porque foi escrito na solidão absoluta das margens do Rio Negro, entre paredes desguarnecidas duma escola de subúrbio. É, antes, a cogitação íntima dum espírito observador e concentrado que (dentro dos limites de sua ignorância) procurou numa coleção de fatos triviais estudar a alma da mulher, sempre sensível e muitas vezes fantasiosa. [......].

Emília Freitas consegue com muita habilidade acomodar o fantástico num plano de regionalidade, e faz em seu romance uma série de incursões pelo imaginário, do palpável ao mais inverossímil. Utilizando-se de técnicas narrativas bem modernas para a época, o clima fantástico se instaura no enredo e assume, naturalmente, o predomínio da atmosfera, ora com ingredientes de um fantástico medievo, ora lembrando narrativas inglesas de terror, transportando magicamente o leitor e a leitora de um para o outro extremo, até o final, surpreendente.

Em 18 de outubro de 1908, Emília Freitas faleceu em Manaus, para onde havia retornado após a morte do marido.

Obra:

Canções do Lar. Poesias. Fortaleza: Tipografia Rio Branco, 1891. 310p.

A Rainha do Ignoto. Romance Psicológico. Fortaleza: Tipografia Universal, 1899. 456 p.

O Renegado. Romance. Fortaleza: [s.n.].s/d.

Publicação póstuma

A Rainha do Ignoto. Romance Psicológico. Pesquisa, organização, atualização ortográfica, apresentação crítica e notas por Otacílio Colares. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, Imprensa Oficial do Ceará, 1980. 363 p.

Bibliografia Sobre a Autora:

COLARES, Otacílio. "Apresentação crítica e notas". In FREITAS, Emília. A Rainha do Ignoto. Romance psicológico. 2a ed. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, Imprensa Oficial do Ceará, 1980.

_____. Lembrados e esquecidos. III. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1977.

CUNHA, Maryse Weine. "Emília de Freitas". In Mulheres do Brasil. V.3. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, 1986. P. 281-316.

MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: [s.n.], 1953.

Fonte: http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/emilia_vida.html. Em 30 de março de 2008. Verbete organizado por Constância Lima Duarte.

Júlio César da Fonseca Filho


Julio Cesar da Fonseca Filho nasceu em Aracati-CE em 10 de outubro de 1850, filho do Major Julio Cesar da Fonseca e Dona Joana Ramos da Fonseca. Jornalista nato, embora sua formação escolar o tenha conduzido a colar grau em Direito, Julio Cesar da Fonseca Filho esteve durante toda a sua vida sempre em torno de jornais. Neles escrevia, diariamente, artigos e poesias. Assim é que, pouco antes de completar 14 anos, iniciou seu ofício em torno da imprensa escrevendo crônicas para um periódico de Aracati-Ce. Aos 18, passou a publicar suas resenhas em jonais de Fortaleza-Ce.

... Destacou-se no meio intelectual pela facilidade em assimilar conhecimentos bastante diversificados. Ou seja: ele possuía, instruções científicas de Filosofia, de Escrituração Mercantil, de Direito, de Patologia e Terapêutica, de História Natural, de Biologia, Botânica, Física, Sociologia, Antropologia, Astronomia e de Literatura.

... Jornalista de temperamento forte, pregou no Ceará - procurando demonstrar a exigência social do abolicionismo- a derrocata do regime escravocrata.

Com relação a este tema em 8 de julho de 1881 - data de sua indicação à Assembléia Provincial - Julio Cesar afirmava o seguinte:

"Indico (...) aos poderes gerais sobre a necessidade da abolição imediata, definitiva e radical da escravatura, como único meio de desenvolver o espírito do progresso satisfazendo o direito, a justiça e a mais legítima aspiração do país, e reconciliando os interesses das raças pelo regime do trabalho livre."
... Julio Cesar da Fonseca Filho realizou diversas atividades com o intuito de desenvolver a temática da proclamação da República. Foi assim que, no ano de 1969, foi publicado em Aracati(CE) uma edição do jornal Barrete Phrygio considerada marcante nesta questão.

Em discursos verdadeiros e fortemente idealistas, ele, como diretor e redator único da citada publicação, escreveu os seguintes artigos dentro deste tema: Façamos a Revolução; Fora o Rei; O que é a República; O tiranicídio é justificado por São Tomaz de Aquino; Cuidado com o exército: onde ele predomina a verdade é uma mentira; Provas históricas; e escreveu também as poesias:

HINO REVOLUCIONÁRIO
"Quebre-se o cetro do rei!
Rasgue-se o manto real!"

e os GRITOS DE DESESPERO
"Convertam-se os régios mantos
em andrajos de  pobreza,
sirvam as tábuas do trono
pra esquife da realeza."

... Foi com este desejo que, no dia 21 de abril de 1870, em Aracati, funda com outros intelectuais o primeiro Clube Republicano do Brasil.

Decepcionado com o modo como se deu a adesão do Ceará ao processo de mudança do regime monárquico para o republicano, em 16 de novembro de 1889, Julio Cesar da Fonseca se avastaria do movimento. Sua atuação no entanto se daria no campo das idéias isto se pode verificar em diversos artigos publicados em jornais da época em que o mesmo afirma os princípios da real república e critica o modo como a mesma ía sendo conduzida no Brasil.

Julio Cesar da Fonseca Filho, faleceu aos 80 anos, no dia 18 de abril de 1931, em sua casa, situada na rua Floriano Peixoto, no centro da capital cearense. Um colapso cardíaco vitimou-o.

Fonte: Júlio Cesar: Um Republicano e Abolicionista no Ceará. Regina Weyne. Foraleza-CE. 2001.

Francisca Clotilde


Francisca Clotilde nasceu em Tauá, Ceará aos 19 de outubro de 1862. Filha de João Correia Lima e Ana Maria Castelo Branco. Do sertão dos Inhamuns a família se mudou para a Serra do Baturité e de lá, a menina passou a estudar em Fortaleza, capital da Província, no Colégio Imaculada Conceição, de onde saiu apta para o magistério.

Ávida por liberdade, engajou-se no Movimento Abolicionista; já então se notabilizava pela vocação poética. Em 1884, por concurso público foi nomeada com o título de professora para a Escola Normal de Fortaleza. Concomitantemente ao trabalho de educadora, colaborou na imprensa em verso e em prosa: Cearense, Gazeta do Norte, Pedro II, O Libertador, A Quinzena, A República, Almanaque do Ceará, no Ceará; também na imprensa de outros estados brasileiros, como por exemplo, Almanaque das Senhoras Alagoanas; O Lyrio, de Recife; A Família, de São Paulo e Rio de Janeiro etc.

Ao ser demitida da Escola Normal (sua pena incomodava os poderosos), fundou externato próprio que funcionou em Fortaleza, depois em Baturité, de onde continuou colaborando na Imprensa.

Além de poetisa, foi também contista, cronista, jornalista, dramaturga e romancista. Em 1902 veio a público o romance A Divorciada. Pelo tema, há de se imaginar o abalo na sociedade e o preço que a romancista pagou pela "ousadia".

Em 1908 transferiu-se com a família, o externato e a revista A Estrella para a cidade de Aracati, onde passou 27 anos de sua vida dedicados à educação da Zona Jaguaribana.
Seus filhos Antonieta, Aristóteles e Angelita seguiram o exemplo da mãe – todos percorreram o árduo caminho de educar.

Faleceu em Aracati aos 08 de dezembro de 1935.

Ao ser fundada a Academia Feminina de Letras, em Fortaleza, sua ex-aluna da Escola Normal de Fortaleza, Alba Valdez, a tomou para madrinha.

Na Ala Feminina da Casa de Juvenal, Francisca Clotilde é patrona da cadeira que teve como primeira ocupante uma ex-aluna de Aracatis, Stella Maria Barbosa de Araújo. É nome de logradouro na cidade de Fortaleza. É nome de grupo teatral na cidade de Aracati. Nessa mesma cidade foi criada, por familiares e amigos da cultura, a Associação Cultural Solar das Clotildes (22/10/2005). É patrona da cadeira No. 11 na Academia Tauaense de Letras (05/03/2005). É nome do Centro de Referência da Mulher em Fortaleza (08/05/2006). Por último, a Câmara Municipal de Tauá aprovou projeto de lei que dá nome de logradouro à ilustre conterrânea.

Sua obra tem sido tema de monografia em várias universidades do Brasil.

Contribuição de Anamélia Mota.

Fonte: http://www.luacheia.art.br/new/index.php/component/k2/itemlist/user/79-franciscaclotilde

Eduardo Alves Dias


Eduardo Alves Dias, filho legítimo de Matias Alves Dias e Orminda da Cunha Dias, nasceu em 17 de julho de 1882 em Salvador, no bairro “Itapagepera” na rua Imperatriz, Freguesia da Penha, Bahia. Fez as primeiras letras e Curso Secundário no Colégio São Salvador de Erotides Sampaio Neves. Formou-se em Medicina na Universidade Federal da Bahia, colando grau em 24 de Dezembro de 1906, tendo se especializado em Obstetrícia. Teve como colegas de turma Dr. José Frota e Dr. Audálio Costa. Defendeu tese e na cadeira de pontos obteve o 1º lugar. Foi o 1º médico do Nordeste a executar o Processo Delmas (parto à hora certa.) em casos de apresentação transversa. Idealizador de um ferro em forma de gancho, confeccionado em Aracati, cujo objeto era de grande utilidade na procura do pé bom para o caso em foco. Foi contratado pela Companhia Baiana de Navegação a vapor como médico de bordo, pelo Dr. Japiaçu, Gerente da Companhia, na Bahia e viajou durante 2 anos consecutivos.

Desembarcando, resolveu clinicar em Macau, no Rio Grande do Norte e a convite do Coronel Pacheco, Agente do Loid Brasileiro na mesma cidade, visitou Aracati, onde residia e clinicava o seu colega Dr. Audálio Costa. A convite do mesmo e gostando da cidade e do povo hospitaleiro, acertou sua residência definitiva em 18 de novembro do mesmo ano. Em 1921 esteve em Feira de Santana na Bahia. Nunca esqueceu o Ceará, fixando residência em Fortaleza. Em 1923 foi professor de Física no Colégio da Imaculada Conceição. Tendo como alunas do Curso Normal: Alba Frota, Cacilda Beleza, Isabel Lins, Raquel de Queiroz e outras importantes figuras. Foi médico assistente na Santa Casa de Misericórdia. Na capital sua passagem foi curta regressando ao Aracati a convite e insistência do então Vigário Monsenhor Bruno da Silva Figueiredo e outras pessoas em destaque.

Amante das artes e das letras foi sempre cooperador de grande valor artístico. Fundador dos Romeiros do Porvir, do Centro de Cultura da Mocidade (Grêmio Artístico e Literário), sócio do gabinete de Leitura desta cidade. Poeta e Cronista foi colaborador do “O Nordeste”, do “O Estado”, da “A Verdade de Baturité”, e outros jornais da terra aracatiense. No jornal “O Nordeste” colaborou como colunista com o artigo intitulado: “Águas Passadas.”

Seus melhores poemas foram enfeixados nos livros: “Cearenses e João da Morte.” Foram poucas as suas obras escritas: “Os Escravos e sua emancipação no Brasil”, “O Leproso”, etc. Interpretou o Drama Pastoril que ele próprio ensaiava e apresentava em várias cidades do Baixo Jaguaribe e Mossoró. Era uma cooperação às obras assistenciais da cidade.

Suas palestras: O padre e o seio da família; São Vicente de Paulo e Dom Bosco; Ciência e Fé; Os escravos e sua emancipação no Brasil; Dissertação sobre o Operário Brasileiro.

Escreveu números artísticos como: A sentença das fadas (Melodrama); Todos sois de Deus; Quadros da Bíblia; Nos campos de Booz; Diálogos, canções, comédias, poesias e sonetos.

Foi presidente da Conferência do Divino Espírito Santo, primeira instituída no Ceará, pertencente à Sociedade de São Vicente de Paulo.

Presidente da L.E.C. (Liga Eleitoral Católica), convidado que foi pelo Arcebispo de Fortaleza, D. Manuel da Silva Gomes, seu grande amigo e compadre.

Em 1970 foi agraciado com a Medalha de Ouro do VIII Congresso Brasileiro de Patologia. Recebeu duas comendas concedidas pelo Papa Bento X em agosto de 1919 e pelo Papa Pio XII, em novembro de 1956.

No dia 17 de julho de 1975, com a idade de 93 ano recebeu do Centro Médico Cearense a homenagem pela classe médica outorgando-lhe o título de “Decano”. Era o mais velho médico do Ceará. Nesta ocasião foi saudado pelo Dr. Jurandir Picanço, de saudosa memória.

No cinqüentenário de sua profissão recebeu “Medalha de Ouro” do Centro Médico Cearense. Também lhe foi concedido o título de Cidadão Honorário do Aracati pela Câmara Municipal na comemoração ao seu áureo jubileu de formatura em sessão especial. Católico praticante, homem de fé autêntica, foi ele fundador de sociedades beneméritas e de apostolados leigos. Jamais se deixou levar por mesquinhos preconceitos sociais, tratando a todos com igualdade, como se fossem seus verdadeiros irmãos. Os pobres eram seus amigos prediletos, aos quais dispensava o máximo de sua atenção. Viveu sempre modestamente não deixando riquezas acumuladas, pois, para ele nada valiam. Ainda aos 90 anos de idade atendia às gestantes do Cotonifício Leite Barbosa (operários pobres) para exames de natalidade e a outras pessoas que nele mantinham confiança absoluta.

Casou-se em primeiras núpcias com Adalgisa de Oliveira Alves Dias, conterrânea, em 14 de abril de 1909, com quem teve 13 filhos (um falecido em 16 de julho de 1925) e a Irmã Núbia, Filha da Caridade, falecida vítima de um desastre automobilístico em 12 de setembro de 1978. Perdendo a esposa em 28 de agosto de 1931, contraiu segundo matrimônio com Anésia Felismino Alves Dias, aracatiense, em 14 de setembro de 1932, nascendo dessa união oito filhos. São dezenove filhos vivos. Viveu na cidade de Aracati 63 anos, fixando no dia 12 de outubro de 1976, dia da criança. Ele que fez vir ao mundo uma legião de criancinhas, faleceu na data em que são homenageadas em toda a pátria brasileira. Coisas do destino!
Obras editadas: Cearenses e João da Morte (Poesia)

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Beni Carvalho

BENEDITO (BENI) AUGUSTO CARVALHO DOS SANTOS (1886-1959) Nascido em Aracati, bacharelou-se na Faculdade de Direito do Recife em 1911, tendo sido, professor da Faculdade de Direito do Ceará. No Exército, atingiu o posto de general. Foi vice-presidente, Deputado Federal e Interventor Federal no Ceará (1945-1946). Publicou Causas Dirimentes e Flagrante Delito (1917), Na Casa de Tiradentes (1931), De Florete e Luvas (1935), Sexualidade Anômala no Direito Criminal (1937), Chama Extinta (1937, seu único de poesias), Ação Parlamentar (1950), Crimes Contra a Religião, os Costumes e a Família.

RAIMUNDO HERCULANO DE MOURA


Sob uma época banhada pelos dissabores da I Guerra Mundial, nasceu aos sete dias do mês de novembro de 1914, na comunidade do Jardim, Fortim, então distrito de Aracati, Raimundo Ribeiro de Moura, filho de Ana Ribeiro de Moura e Manoel César de Moura.

Seu nome fora modificado quando tinha quinze anos. "Eu não gostava do nome Raimundo, viu? Um dia olhando a "folhinha" vi no dia sete de novembro: Santo Herculano. Eu digo: "Ôpa! Esse aqui é o meu, hein!" (Risos) Aí adotei Raimundo Herculano de Moura. Fui registrado só como Raimundo. Mas depois eu mesmo fiz a petição exigindo o nome Raimundo Herculano de Moura. Era só Raimundo. O que é Raimundo? Não significava nada!" afirmou o poeta em entrevista cedida a Marciano Ponciano. Posteriormente este material foi organizado  e publicado com o título: Um Olhar para o Tempo  no livro Coisas Velhas Saídas da Beira do Túmulo de autoria de Raimundo Herculano de Moura.

A saudade é a palavra que mais traduz a poesia de Raimundo Herculano de Moura. Uma alcunha que se inscreve com grafia mordaz no memorial aracatiense. Quem gozou de sua presença sabe o quanto foi sublime e sábio em expressar o simples. Raimundo Herculano de Moura foi um poeta que cantou a dor, o amor, a beleza, o ser humano, a natureza, a cidade, o Aracati. Fez votos de modéstia por toda sua existência. Em seu poema "Meu Diploma" o poeta nos expõe de maneira muito sucinta sua formação escolar: "Nunca cursei faculdade/ Nem de Paris nem de Roma,/ Mas tive a felicidade/ de ganhar este DIPLOMA,... Sem possuir documento/ de qualquer Curso Escolar,/Ser parceiro de Jumento/ É o que eu podia esperar..." O poema descreve sua filiação no Clube Mundial do Jumento a convite do Padre Antônio Vieira. Em sua residência situada à Rua Grande, o quadro de moldura muito simples revela o único diploma que recebeu e que sempre o teve como símbolo de sua irreverência nata.

Um poeta tardio

Em 1937, aos 23 anos de idade, escreve sua primeira composição poética, um soneto intitulado "A Partida", vindo a publicá-lo na Revista Iara fundada por Aluísio de Queiroz e patrocinada pelo Centro Estudantil Aracatiense. Cauteloso com a crítica local resolve assinar o poema com o pseudônimo de "Índio Moreno". "Tive um pseudônimo como medo da crítica. Índio Moreno porque moreno é a minha cor e o índio é de desconfiado como eu sou." Pôde posteriormente  presenciar comentários da obra do tal "Índio Moreno" que foram os melhores por sinal.

Raimundo Herculano de Moura foi colaborador de diversos jornais a exemplo de O Jaguaribe, Alvorada, Tribuna do Povo, Gazeta do Vale dentre outros que tiveram circulação local e regional. Exerceu diversas funções de Guarda Chefe da Malária a vereador.

Fonte: http://www.luacheia.art.br/new/index.php/aracati/biog/item/70-de-quantas-saudades-%C3%A9-feito-o-homem