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segunda-feira, 11 de março de 2013

João Aureliano Correia dos Santos


João Aureliano Correia dos Santos (Mons.)— Filho do fazendeiro Tenente-Coronel José Correia dos Santos, um sobrinho de Joaquim Emílio Ayres, de Alagoas, redator do Clarim da Liberdade, e de Dª Thereza de Jesus Correia dos Santos, falecida em Petrópolis a 5 de julho de 1907, das famílias Caminha e Castro, nasceu em Aracati a 6 de maio de 1850.
Entrando no Seminário de Fortaleza, aí recebeu o presbiterato a 30 de novembro de 1873 e foi mandado paroquiar as freguesias da Cachoeira, Aracati e Jaguaribe-mirim.
Embarcou para o Rio de Janeiro em 1877 fixando residência em S. Domingos de Nitéroi, em companhia de seu tio e cunhado, Dr. Antônio Ferreira dos Santos Caminha, então deputado geral pela Província do Ceará.
Em 1883 foi nomeado Vigário da freguesia de S. João Batista de Niterói, tendo merecido anos antes, por Carta Imperial de 15 de março de 1879, as honras de Cônego da Capela Imperial, confirmadas pelo Bispo D. Pedro de Lacerda.
Em nome do Bispo D. Francisco do Rego Maia e como seu procurador presidiu á instalação e tomou posse da diocese a 25 de fevereiro de 1894, a 27 de julho de 1896 foi nomeado governador do Bispado durante a ausência do referido Bispo em viagem ad limina apostolorum, fato que se reproduziu a 28 de abril de 1899 por ocasião do Concílio Latino Americano, em Roma. Tais foram seus serviços que o Bispo Rego Maia para ele obteve as honras de Prelado Doméstico de S. Santidade o Papa Leão XIII, podendo usar as insígnias prelatícias na mesma Cúria Romana, e tendo a faculdade de possuir capela no lugar de sua residência.
Monsenhor João Aureliano foi um dos fundadores do Colégio das Doroteias em Niterói.
Sem ser político, o 4º Distrito do Estado do Rio fe-lo seu representante no Congresso Nacional, sendo eleito a 31 de dezembro de 1859 e reconhecido a 20 de junho de 1900.
Em maio de 1900 foi de novo convidado para dirigir o Bispado de Petrópolis pelo Bispo Diocesano, por ocasião de sua ida ao Congresso Católico da Bahia e à peregrinação à Roma e outros logares, mas tendo de tomar parte na Câmar dos Deputados, não aceitou o convite, consentindo, porém, em ficar como segundo governador do Bispado.
A Rua do Ouvidor, Rio, nº de 3 de fevereiro de 1900 estampou seu retrato e sua biografia.
Faleceu na Capital Federal, vitimado por um cancro do estômago a 31 de julho de 1904, depois de uma viagem empreendida à Europa em busca de melhoras.
Publicou:
—Discursos proferidos pelo Monsenhor João Aureliano Correia dos Santos Deputado Federal pelo Estado do Rio de  Janeiro nas sessões de 18 de agosto e 16 de novembro de 1900, Rio de Janeiro, Tip. Guimarães, rua Teófilo Ottoni nº 143, in 8º de 24 pp.
Dª Tereza de Jesus Correia dos Santos era filha de Antônio Ferreira dos Santos Caminha e de Dª Maria Joana Balbina, ele filho de Alexandre Ferreira dos Santos e de Dª Ignacia de Alencastro, e ela filha de João de Castro Silva, que foi Capitão-mor de Aracati, nascido a 14 de maio de 1751 e falecido em 1815.
Alexandre Ferreira dos Santos era filho de Alexandre Barbosa Caminha e de Dª Quiteria Ferreira de S. Eulália.
Alexandre B. Caminha era filho de Cosme Gonçalves.
O nome Caminha lhes veio da localidade desse nome em Portugal.
De Dª Ignacia foram pais Vitorino Gomes Barbosa e Dª Antonia de Alencastro, e de Dª Quitéria, João Ferreira dos Santos, de Marvão em Piauí, e Dª Leonor de tal.

Fonte: DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO CEARENSE (VOLUME PRIMEIRO) ABEL- JOÃO . Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart) p. 408-410.

Francisco Leite Barbosa


Francisco Leite Barbosa (Mons.)—Filho de José Batista Leite e Dª Maria Angélica Barbosa Leite, nascida a 16 de Janeiro de 1816 e falecida em Fortaleza a 24 de março de 1906, nasceu no lugar denominado Barreiros, termo da cidade do Aracati, a 13 de dezembro de 1847.
Foram seus avós paternos João Batista Leite e Dª Maria de Holanda Leite e maternos Francisco Xavier Barbosa, um dos irmãos do Capitão-mor Joaquim José Barbosa, e Dª Florencia de Oliveira Barbosa.
É um cearense que se tornou digno de gratidão dos patrícios no Pará e no Amazonas pois devido a recomendações suas ao Bispo D. Antônio Macedo Costa se ordenaram muitos moços cearenses.
Foi para o Pará com destino a França em 1865, mas recolheu-se ao Seminário dali por conselho do citado Bispo D. Antônio Macedo Costa e nele fez os seus estudos de preparatórios e em seguida o curso de teologia moral e dogmática.
Ordenou-se a 13 de fevereiro 1876, sendo a 10 de março nomeado professor do Seminário, cargo que exerceu até 1878.
Por carta da Princesa Isabel foi nomeado a 20 de setembro do dito ano de 1876 Beneficiado do Cabido da Catedral do Pará.
Em 1878 acompanhou o Bispo D. Antônio de Macedo Costa em uma visita pastoral ao Rio Purús, onde ficou como vigário de Labrea, criada e canonicamente constituída sob a invocação de N. S. de Nazareth, por nomeação de 7 de setembro.
Em 1892 foi nomeado Cônego Honorário da Catedral do Pará por portaria de 23 de abril do Bispo D. Jerônimo Thomé da Silva.
A 24 de dezembro de 1895 foi nomeado Cônego assistente ao sólio episcopal do Amazonas por portaria de D. José Lourenço da Costa Aguiar e nomeado Monsenhor em 1896 pelo Santo Padre Leão XIII.
Publicou em Agosto de 1903 um folheto sob o título Matriz da Labrea, balancete da Receita e Despesa relativamente aos trabalhos da Igreja de N. S. de Nazareth, iniciados sob sua direção a 11 de agosto de 1902, um outro sob o título Balancete da receita e despesa com as obras da nova Matriz de N. S. de Nazareth da Labrea 1903-1904, Empresa Tipográfica, 27 Rua Major Facundo, Fortaleza e um 3º sob o título Relatório apresentado ao Exmo. e Revmo. Sr. Bispo do Amazonas D. Frederico Costa em 1908, Fortaleza, Typ. Minerva.
José Bonifácio de Salasar, que é bisavô de Monsenhor Leite e igualmente do Barão de Camocim, era natural da freguesia de Russas, e filho de Luiz José de Mendonça, português, e de Dª Joanna Francisca de Luna, da Paraíba; casou a 30 de maio de 1775 com Dª Luzia Michaela de Mendonça, natural de Russas, e filha de Ignacio da Silveira Bezerra, natural de Paraíba e de Dª Izabel Maria de Lima, natural de Russas.

Fonte: DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO CEARENSE (VOLUME PRIMEIRO) ABEL- JOÃO . Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart) p. 303-304.

Bruno Rodrigues da Silva Figueiredo


Bruno Rodrigues da Silva Figueiredo (Mons.) — Nasceu a 6 de Outubro de 1852 em Aracati do consórcio de Camillo Rodrigues da Silva Figueiredo, português da Beira Alta, nascido a 15 de Maio de 1817 e falecido em Aracati a 22 de Maio de 1876, com Dª Francisca Cândida da Silva Figueiredo, nascida em Aracati a 18 de Junho de 1828.
São seus avós, pelo lado paterno, Francisco Rodrigues da Rocha, natural de Ferreiro de Tendaes, Beira Alta e que foi irmão do medico Luiz Rodrigues da Rocha, avô do viajante Serpa Pinto, e Dª Anna da Silva, filha de Manuel da Silva e de Dª Rosa da Silva; pelo lado materno, José Antônio Ferreira Chaves, tabelião por duas vidas, natural de Bezerros em Pernambuco, filho de Antônio José Ferreira, português, e de Dª Joanna Nepomuceno, da família Feitosa, e Dª Francisca Ignacia de Jesus, filha de Cláudio Pereira de Oliveira, da freguezia da União (Curraes) e de Dª Francisca Maria do Espírito Santo.
Cláudio Pereira era filho do português Manoel Marques de Oliveira e de Dª Lusia Pereira da Cunha, natural de União; Dª Francisca Maria do Espírito Santo era filha de Miguel Rodrigues Corrêa, cearense, e de sua mulher Dª Narcisa Ferreira de Mello, natural de Sergipe, freguesia do Pé do Banco.
Manoel Marques de Oliveira era filho de João Marques de Oliveira e de Dª Maria de Oliveira, ambos da freguesia de S. Martinho do Douro, Portugal; Dª Lusia Pereira era filha de Francisco Pereira da Cunha, pernambucano, e de Dª Ignacia Rodrigues, natural do Apodi.
Miguel Rodrigues Corrêa era filho de Antônio de Barros Martins e de Dª Leonarda de Sá de Vasconcellos, pernambucana; Dª Narcisa Ferreira de Mello procedia de Daniel dos Santos Cardoso e de Dª Margarida de Góes de Mendonça, de Sergipe.
Bruno Figueiredo começou os estudos na terra do berço e concluiu-os no Seminário de Fortaleza recebendo as últimas ordens das mãos do bispo D. Luiz Antônio dos Santos a 30 de Novembro de 1875.
Ainda aluno, ensinou no Seminário o 2º ano de preparatórios, e depois de ordenado ensinou o 4º ano até Junho de 1878, quando passou a dirigir o Atheneu Cearense; abriu o Instituto de Humanidades com Mons. Cruz Saldanha e dirigiu-o até 1884; foi professor interino de filosofia no Liceu do Ceará havendo merecido no concurso a mesma nota do seu competidor Joaquim Catunda, que nela foi provido efetivamente.
Transportando-se a Manaus, tirou em concurso a cadeira de Latim do Liceu e foi professor no Seminário, Externato de S, José e Colégio de Santa Theresa.
No Maranhão, onde esteve a passeio, foi professor interino de Latim no Liceu e lecionou liturgia no Seminário e outras disciplinas no Externato de Santo Antônio.
De volta ao Ceará, foi nomeado professor interino de Aritmética na Escola Normal.
Foi vigário de Soure e Maranguape e nessa última cidade fundou a Associação das Senhoras de Caridade, que tantos benefícios tem prestado à causa dos pobres.
Deixando a vida paroquial, teve a nomeação de professor interino e depois efetivo da cadeira de Latim do Liceu do Estado na qual foi aposentado em 1908.
Colaborou no Libertador, Commercio do Amazonas e Verdade, sendo realmente de grande valor os serviços que à causa dos escravos prestou no primeiro jornal citado.
Há dele uma tradução em hexâmetros latinos do Episódio de Ignez de Castro dos Lusíadas e outras composições em latim. Tem pronta para o prelo uma gramática latina de acordo com os novos programas do ensino.
Mons. Bruno Figueiredo recusou a mitra do Amazonas; é cônego honorário da Sé do Pará e sócio benemérito e presidente da Sociedade União do Clero, fundada em Fortaleza a 30 de Março de 1884; governou o Bispado do Ceará na ausência do  Sr. D. Joaquim José Vieira por motivo do Concilio Latino-Americano celebrado em Roma e é hoje seu vigário-geral, havendo sido nomeado pelo Papa Leão XIII a 3 de Agosto de 1900 Protonotário Apostólico ad instar. É igualmente examinador sinodal do Bispado por eleição no Sínodo Diocesano a 1 de fevereiro de 1888.
Publicou:
— Oração fúnebre proferida nas exéquias do Sumo Pontífice Leão XIII, Fortaleza, 43 Typ. Econômica, Praça do Ferreira, 1903, in 8." de 16 p p.
—Os dois primeiros bispos do Ceará, publicado no Livro do Tricentenário, 1903.
—Sermão sobre a Imaculada Conceição pronunciado a 8 de dezembro de 1903 na Igreja da Prainha Fortaleza, Typ. Minerva, de Assis Bezerra, 1904.
—Os primeiros Bispos do Ceará. Esse trabalho, que está assinado apenas com suas iniciais, foi distribuído por ocasião do 25º aniversário da Sagração Episcopal de D. Joaquim José Vieira a 9 de dezembro de 1908.

Fonte: DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO CEARENSE (VOLUME PRIMEIRO) ABEL- JOÃO . Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart) p. 181-183.